quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Os Sete Selos - Os Quatro Cavaleiros - As Sete Trombetas - Escatologia





"[...]eis aqui o Leão da tribo de Judá, a raiz de Davi, que venceu, para abrir o livro e desatar os seus sete selos." Apocalipse 5:5




O selo nos tempos bíblicos era um lacre (Daniel 6.17) que fechava as cartas (I Reis 21.8) com uma marca feita com sinete semelhante a um carimbo sobre uma massa. O livro visto pelo apóstolo João estava selado com sete selos para confirmar que estava bem fechado e só poderia ser aberto por seu destinatário que deveria ser alguém digno (Apocalipse 5.2). À medida que os selos vão sendo abertos, acontecimentos revelam o que significam suas palavras.
A Profecia revelada a João aconteceu na Ilha de Patmos. Segundo historiadores (Ireneu, Eusébio, Jerônimo), o exílio de João na ilha aconteceu por volta de 95 d.C., no ano décimo quarto do reinado de Domiciano (por decreto do Imperador Deocleciano). Motivo: "por causa da Palavra de Deus e pelo testemunho de Jesus Cristo" Ap 1.9


Patmos (em grego, Πάτμος) é uma pequena ilha da Grécia a 55 km da costa da Turquia, no mar Egeu.


"Revelação de Jesus Cristo, a qual Deus lhe deu, para mostrar aos seus servos as coisas que brevemente devem acontecer; e pelo seu anjo as enviou, e as notificou a João seu servo; o qual testificou da palavra de Deus, e do testemunho de Jesus Cristo, e de tudo o que tem visto." Apocalipse 1:1,2


Os sete selos - (Apocalipse 6:1-17; 8:1-5);
no sétimo selo inicia-se as sete trombetas (Ap 8 1-5)


As sete trombetas - (Apocalipse 8:6-21; 11:15-19);
na sétima trombeta inicia-se as sete taças (Ap 11:15-19; 15:1-8)


As sete taças - (Apocalipse 16:1-21);
as últimas pragas ou os últimos juízos de Deus sobre a humanidade ímpia (Ap 15; 16)


Três séries de julgamentos de Deus que são diferentes, consecutivas e interligadas entre si.




1º Selo (6.2): Cavalo Branco
E, havendo o Cordeiro aberto um dos selos, olhei e ouvi um dos quatro animais, que dizia, como em voz de trovão: Vem e vê! E olhei, e eis um cavalo branco; e o que estava assentado sobre ele tinha um arco; e foi-lhe dada uma coroa, e saiu vitorioso e para vencer.


O primeiro selo possui paralelo com Zacarias 1.7-17 e 6.1-8 que tratam do simbolismo dos quatro cavalos. Nas Escrituras, o cavalo é símbolo de força, poder e conquistas: O cavalo prepara-se para o dia da batalha (Pv 21.31a). O próprio Deus lembra a Jó a força e capacidade do cavalo para a batalha (Jó 39. 19-25); enquanto o profeta faz referência a velocidade do cavalo para cumprir o que se determina (Is 30.16); ou ainda para expressar a confiança e o poder pessoal (Is 31.1). No livro de Apocalipse o cavalo aparecerá outras três vezes: 9.7; 14.20; 19.11.


As opiniões acerca da identidade deste cavaleiro têm ocupado diversos biblistas, chegando cada um deles a resultados díspares.


O. Boyer, por exemplo, afirma que este selo é símbolo da conquista do evangelho no mundo e, que o cavalo branco, que é figura da santidade, deve representar a força irresistível e veloz de Deus. A. Gilberto assevera que este cavaleiro não pode ser Cristo, porque Cristo é quem abre o selo do versículo 1, do qual sai o cavalo e o cavaleiro do versículo 2. Além disso, Cristo sempre tem em seu cortejo, em sua companhia, melhores agentes do que os mencionados neste capítulo: guerra (vv.3,4); fome (vv.5,6); e peste (vv.7,8). (Orlando BOYER, Espada Cortante, vl.1, [?], p.216)


Isto significa que o primeiro cavaleiro deve ser identificado juntamente com os outros três, isto é, do mesmo tipo. Isto posto, se os outros três cavaleiros são símbolos de destruição e morte, pelos quais Deus executa o seu julgamento, o cavalo branco não pode destoar do conjunto.(Cf. George LADD, Apocalipse – introdução e comentário, 1980,p.73) Assim sendo, o cavalo branco é símbolo de conquistas, o arco não retesado, isto é, que conservava as flechas na aljava, é símbolo de uma guerra não declarada (semelhante a guerra fria entre Estados Unidos e União Soviética), do domínio diplomático do Anticristo. Assim, a identidade desse cavaleiro não deve ser confundida com a pessoa de Jesus Cristo.


De acordo com esta corrente de interpretação, o cavalo branco e seu cavaleiro representam o Anticristo em seus primeiros anos de governo político. Nesse período ele se apresentará como se fosse o Messias prometido e enganará a nação eleita. O cavaleiro surgirá provavelmente em um período conturbado no cenário das nações do mundo, proporcionando, através da diplomacia, segurança e paz para os reinos da terra. Facilmente os homens serão seduzidos por suas palavras e lhe entregarão o domínio das nações. A cor branca, segundo certos exegetas, é que impõe dificuldade para admitir a possibilidade de se tratar do Anticristo, pelo fato de a cor ser usada frequentemente para simbolizar a paz e Cristo [LADD*]. Todavia, observamos que o cavalo, símbolo de conquista, representa a conquista do Anticristo, e a cor branca, símbolo de vitória e da paz, representa a vitória e a falsa paz que será imposta pelo Anticristo. O arco representa o domínio do Anticristo através da diplomacia e da guerra fria. A coroa representa o triunfo do Anticristo.


*Ladd apresenta os seguintes textos para comprovar sua assertiva: “O Cristo exaltado tem cabelos brancos como lã (1.14), os fiéis receberão uma pedra branca com um novo nome inscrito; os fiéis vestirão roupas brancas (3.4,5,18); os vinte e quatro anciãos estão vestidos de branco (4.4); os mártires receberão roupas brancas (6.11), bem como a multidão inumerável (7.9,13); o filho do homem é visto sobre uma nuvem branca (14.14); ele volta montado em um cavalo branco, acompanhado dos exércitos do céu que estão vestidos de branco e montam cavalos brancos (19.11,14); no julgamento final Deus está assentado em um trono branco (20.11)”.


2º Selo (6.3,4): Cavalo Vermelho
E saiu outro cavalo, vermelho; e ao seu cavaleiro, foi-lhe dado tirar a paz da terra para que os homens se matassem uns aos outros; também lhe foi dada uma grande espada.


Este segundo selo contrapõe-se ao primeiro. O arco contrasta com a espada. Enquanto o arco e as flechas estão na aljava, este cavaleiro está com uma grande espada nas mão. A paz que o cavaleiro branco traz sobre a terra é temporal e falsa. A função deste cavaleiro, montado sobre o cavalo vermelho é tirar a paz da terra. Tudo aquilo que o primeiro cavaleiro ofereceu aos judeus - reino territorial seguro, paz e proteção para o exercício de sua religião - é completamente destruído pelo segundo cavaleiro. Vermelho é a cor do sangue e geralmente representa a guerra. Nos tempos do apóstolo João, Marte, o planeta vermelho, também era considerado pelos romanos como o deus da guerra.


O cavalo vermelho é símbolo da guerra e do derramamento de sangue que dela advém. A descrição deste selo, no primeiro século da era cristã, deve ter causado bastante impacto entre os crentes daquele período, pois viviam no tempo da "Pax Romana", período de paz que atingiu todo o domínio do império romano. Não devemos esquecer da relação deste cavalo vermelho com a profecia de Zacarias 6.2. No tempo da Grande Tribulação a paz diplomática do Anticristo dará espaço para as mais cruéis e sangrentas guerras. Este selo, desencadeará os sofrimentos relacionados aos outros castigos que se seguem.



3º Selo (6.5-6): Cavalo Preto
“Quando abriu o terceiro selo, ouvi o terceiro ser vivente dizendo: Vem! Então, vi, e eis um cavalo preto e o seu cavaleiro com uma balança na mão. E ouvi uma como que voz no meio dos quatro seres viventes dizendo: Uma medida de trigo por um denário; três medidas de cevada por um denário; e não danifiques o azeite e o vinho”.


Este terceiro selo traz juízo sobre a terra. O segundo selo trouxe infortúnios à política das nações e às relações sociais dos homens. Neste, o castigo recai sobre a terra e os víveres. Devemos considerar este sofrimento como consequência do selo anterior, pois a guerra traz consequentemente a fome e a morte.


O cavalo negro é símbolo da morte e a balança de dois pratos subentende o racionamento de alimentos. Este tipo de balança era usado para pesar trigo. Segundo Ryrie “em circunstâncias normais com um denário (o salário de um dia na Palestina nos tempos de Jesus, Mt 20.2), se podia comprar oito medidas de trigo e vinte e quatro de cevada. Nestas condições de fome, com o mesmo salário só se poderá comprar uma medida de trigo ou três de cevada. Em outras palavras haverá 1/8 da subsistência de comida”. [1]


G.R. Beasley-Murray (um erudito conservador que combina as escolas preterista e futurista) afirma que “pouco antes de João escrever o livro de Apocalipse, uma falta aguda de cereais, junto com uma abundância de vinho no Império, levou Domiciano a decretar a restrição da vinicultura e o incremento da produção de cereais; o decreto criou um tal furor, que teve que ser abandonado. O texto pode ter em mente uma igual situação”. [2]


O trigo era o alimento principal do mundo antigo e uma medida de trigo correspondia ao consumo diário necessário para uma pessoa. Já a cevada, por ser mais barata, era o principal alimento dos colonos e pobres. A escassez desse tempo fará com que o preço dos alimentos básicos suba a ponto de um pai de família gastar todo o salário com os alimentos primários. O valor dos produtos fundamentais à subsistência estará acima das condições dos trabalhadores assalariados. Em condições normais, com o mesmo denário (dinheiro), comprava-se quase dezesseis vezes a mais daquilo que será adquirido neste período. Tempos de exacerbada carestia.


Não devemos deixar de mencionar o caráter irônico deste período tribulacional, pois o trigo e a cevada – os mais básicos alimentos do período bíblico – custarão, com o aumento da inflação [consequência da guerra], um valor abusivo e absurdo, enquanto o vinho e o azeite, que eram artigos mais caros, não escasseariam. Isto significa que a maior parte da população pobre ficará mais pobre, enquanto alguns ricos, principalmente os que não sofreram as consequências das guerras, terão ainda seus artigos de luxo: o vinho e o azeite. Porém, à luz da economia atual, podemos entender que estes artigos, cereal, azeite e vinho, necessariamente sofrerão um altíssimo aumento monetário não estando disponíveis ao poder aquisitivo da maioria das pessoas já empobrecidas pela guerra.[3]


Não podemos, entretanto, deixar de considerar a posição de G. LADD. Este considera com base nos textos de Dt 7.13; 11.14; 28.51; 2 Cr 32.28; Ne 5.11; Os 2.8,22; Jl 2.19; Ag 1.11 que “o cereal, o azeite e o vinho” de Apocalipse 6.5-6, é uma frase-chave da Bíblia que representa as necessidades básicas da vida humana, o que leva-o a considerar que este período será de extrema necessidade, mas não de fome catastrófica.


É provável que a globalização da economia desencadeie esta crise por todos os países, além do próprio castigo atingindo os quatro cantos da terra.



4º Selo (6.7-8): Cavalo Amarelo
“Quando o Cordeiro abriu o quarto selo, ouvi a voz do quarto ser vivente dizendo: Vem! E olhei, e eis um cavalo amarelo e o seu cavaleiro, sendo este chamado Morte; e o Inferno o estava seguindo, e foi-lhes dada autoridade sobre a quarta parte da terra para matar à espada, pela fome, com a peste e por meio das feras da terra”.


A guerra, a carestia e a escassez de alimentos, trazendo consequentemente a fome, prepararão a terra para o castigo do quarto selo – a Morte. O cavalo amarelo representa a morte por meio da fome, da peste e das feras. O termo “amarelo” não significa um amarelo de cor viva, mas pálida [4], simbolizando a palidez característica da morte. Este cavaleiro, diferente dos outros três, é identificado como Morte e é seguido pelo Hades ou inferno. Não está claro, como observa Ladd, “se o inferno estava montado em outro cavalo ou andando a pé atrás da morte, ou no mesmo cavalo com esta”. [5] A Morte vitima os homens através da espada, fome, peste e das feras, enquanto o Hades, isto é, o “mundo dos mortos” [6] recolhe todos os que são ceifados pela Morte. Morte e Hades referem-se aparentemente a morte física e espiritual. [7]


Estas quatro catástrofes - a espada, a fome, a peste e os animais selvagens - são chamados em Ezequiel 14.21 de “os quatro maus juízos de Yahweh”. Estas catástrofes destruirão a quarta parte da terra. Se naquele período houver cerca de seis bilhões de habitantes no mundo, quase dois bilhões de pessoas seriam mortas.


Nunca é demais repisar a relação que existe entre essas pragas e a justiça e o castigo de Deus mencionado em Ezequiel 14.12-21, que trata da “fome” (v.13), “animais selvagens” (v.15), “espada” (v.17), e “peste” (v.19).


OS DANOS CAUSADOS POR ESTES CAVALEIROS.


Morte através da espada: Neste caso, espada assim como na metáfora do texto de Mateus 10.34, significa “contenda”, “dissensões”, daí morte causada por intrigas, contendas, dissensões, assassinato e violência. Um dos pilares que leva-nos a interpretar desta forma, além do uso metafórico de espada, distribuído por toda a Escritura, é que o segundo selo traz a guerra, enquanto, “para matar com a espada”, provavelmente esteja se referindo a morte causada por dissensões, violência, intrigas. Assim sendo, a violência urbana, os assassinatos, sequestros, estupros e toda mazela inominável de violência contra o ser, será aguerrido neste período. Isto sugere um aumento da violência acima dos limites sociais observáveis nos dias hodiernos.


Morte através da fome: O que temos visto e ouvido sobre a fome na Etiópia, na região do nordeste brasileiro, ou em qualquer outro canto do mundo vitimado pela fome, não se compara à mortandade que se seguirá através da fome nesses dias tribulacionais. O terceiro selo trouxe o racionamento de alimentos sobre a terra, este quarto, a morte através da fome. Será uma crise de víveres que atingirá toda a pirâmide social da terra.



O quadro Triunfo da morte (1562), do pintor belga Peter Bruegel (1525-1569),
retrata o horror que a peste negra causou na Europa

Morte através da peste: Se alguns homens sobreviverem à espada ou a fome, muitos não resistirão a morte através das pragas. Cabe lembrar o quanto é eficiente o poder de destruição aqui evocado. A Europa e a Ásia do século XIV foram quase varridas pela peste bubônica – a morte negra. Esta doença, provocada pela pulga dos ratos, foi responsável pela morte de quase um quarto da população (cerca de 25 milhões de pessoas) da Europa e Ásia do final da Idade Média. Se tomarmos como exemplo, o rato, além da peste bubônica, esta criatura, transmite o tifo, enfermidade que segundo estimativas, em quatro séculos matou mais de duzentos milhões de pessoas.[8] Segundo Phillips, “os ratos ameaçam o abastecimento de alimentos para os homens, pois devoram e contaminam, além de que se destruirmos noventa e cinco por cento dos ratos que habitam um determinado local, eles se recuperam no prazo de um ano”. [9]


O Dr. Franck Holtman, chefe do Departamento de Bacteriologia da Universidade de Tennessee, afirma que: Ainda quando a maior parte de uma cidade poderia ser destruída por uma bomba atômica, o método bacteriológico poderia eliminar facilmente a todos em apenas uma semana. O vírus que causa a febre de parrot, uma das mais mortíferas enfermidades humanas, é considerado pelos cientistas como o mais apropriado para este propósito....enquanto o custo de uma bomba psitacosis poderia ser comparativamente barato, sua potência é extremamente alta..., mas se requer menos de um centímetro cúbico do vírus para infectar 20 milhões de seres humanos quando se libera na atmosfera em quantidade infinitesimal...[10]


Devemos lembrar que estas pestes não são apenas a ocorrência de pragas já conhecidas pela ciência. É provável que surjam pragas desconhecidas pelos homens, que exterminarão milhares de pessoas. Muitas destas pestes serão resultado das mortes ocasionadas pela espada e a fome. A peste não causará apenas doenças que levarão os homens à morte, mas será responsável pela contaminação dos víveres e pela poluição das águas. O suprimento dos homens será destruído e poluído por estas e outras pestes. Em nossos dias, vivemos o pavor dos vírus e doenças cada vez mais mortais que surgem à medida que a qualidade da vida humana vai diminuindo por culpa de um crescimento insustentável. Nada, porém, pode ser comparado a este tempo.


Morte através das feras: A natureza sofrerá tanto pelos itens acima que os próprios animais invadirão os habitares dos homens fazendo muito deles suas vítimas.


5º SELO (6.9-11): CLAMOR DOS MÁRTIRES - JUSTIÇA
Quando ele abriu o quinto selo, vi, debaixo do altar, as almas daqueles que tinham sido mortos por causa da palavra de Deus e por causa do testemunho que sustentavam. Clamaram em grande voz, dizendo: Até quando, ó Soberano Senhor, santo e verdadeiro, não julgas, nem vingas o nosso sangue dos que habitam sobre a terra? Então, a cada um deles foi dada uma vestidura branca, e lhes disseram que repousassem ainda por pouco tempo, até que também se completasse o número dos seus conservos e seus irmãos que iam ser mortos como igualmente eles foram.


Enquanto o quarto selo ocupa-se com os acontecimentos lúgubres na terra, o quinto selo, descortina o clamor dos mártires nos céus. Este quinto selo é um pedido tanto por vingança quanto por justiça (v.10). João afirma que como resposta a essa imprecação, foi lhes dado uma cumprida veste branca e que repousassem ainda por um pouco de tempo, até que se cumprisse o número dos irmãos que haviam de ser mortos como eles foram. Este selo revela tempos de perseguição religiosa sem igual. Todos que não professarem a religião do Falso Profeta serão mortos. Como já afirmamos haverá salvação durante o período da Grande Tribulação, e estes mártires aqui mencionados, são pessoas que não amaram suas vidas até à morte.



6º SELO (6.12-17): TERREMOTO - ABALO CÓSMICO
Vi quando o Cordeiro abriu o sexto selo, e sobreveio grande terremoto. O sol se tornou negro como saco de crina, a lua toda, como sangue, as estrelas do céu caíram pela terra, como a figueira, quando abalada por vento forte, deixa cair os seus figos verdes, e o céu recolheu-se como um pergaminho quando se enrola. Então, todos os montes e ilhas foram movidos do seu lugar. Os reis da terra, os grandes, os comandantes, os ricos, os poderosos e todo escravo e todo livre se esconderam nas cavernas e nos penhascos dos montes e disseram aos montes e aos rochedos: Caí sobre nós e escondei-nos da face daquele que se assenta no trono e da ira do Cordeiro, porque chegou o grande Dia da ira deles; e quem é que pode suster-se?.


Este selo descreve em linguagem descritiva e poética uma catástrofe cósmica. Esta linguagem é própria dos textos apocalípticos, por exemplo, Joel 2.31: “O sol se converterá em treva, e a lua em sangue, antes que venha o grande e terrível dia do Senhor” (cf.3.14-15). Ageu descreve nos seguintes termos: “Ainda uma vez dentro em pouco, farei abalar o céu, a terra, o mar e a terra seca” (Ag 2.6). Isaías também participa desta tradição de textos apocalípticos: “Todo o exército dos céus se dissolverá, e os céus se enrolarão como um pergaminho; todo o seu exército cairá, como cai a folha da vide e a folha da figueira” (Is 34.4). Esta linguagem de catástrofes cósmica também se encontra nos lábios de Jesus: “o sol se escurecerá, a lua não dará a sua claridade, as estrelas cairão do firmamento e os poderes dos céus serão abalados” (Mt 24.29).



Murray adverte que estes sinais escatológicos são por demais “regulares para considerá-los figurativos. Contudo, que eles não devem ser considerados demasiadamente literais, parece evidente do quadro do céu que foge ante o trono celeste, no desfecho da era milenária...”*. LADD, afirma que nestes textos a: "forma de se expressar é “semi-poética”, isto é, a linguagem é simbólica e dificilmente pode ser tomada muito ao pé da letra. Por exemplo: Como, à luz do nosso moderno conhecimento da astronomia, podemos conceber estrelas caindo sobre a terra? Se sabemos que a abóbada celeste azul na realidade é uma ilusão ótica, como podemos imaginar o céu sendo enrolado como um pergaminho? A linguagem, no entanto, não é somente poética ou simbólica de realidades espirituais, mas descreve uma catástrofe cósmica real de caráter inconcebível para nós."**


Segundo as linhas mestras destes textos encontramos:
a) O Maior Terremoto da História Humana.
A humanidade tem sido vitima de grandes terremotos. O mais destrutivo segundo a opinião dos estudiosos ocorreu em janeiro de 1556 na China – quase um milhão de pessoas morreram vitimadas por esta catástrofe natural. O terremoto de São Francisco (EUA) de 18 de abril de 1906, foi igualmente terrível, matou setecentas pessoas e deu um prejuízo de mais de 500 milhões de dólares. Porém, este terremoto, será pior do qualquer outro que já tenha existido antes dele. Neste período milhões de pessoas serão mortas nas cidades e nos campos. Será um dia de grandes desastres e prejuízos à sociedade organizada. No entanto, no final da Grande Tribulação haverá um terremoto pior do que o do sexto selo (cf. Ap 16.18).


b) O Maior Transtorno Cósmico da História.
É possível que o abalo cósmico descrito nestes textos seja resultado de uma guerra nuclear. O teólogo Hal Lindsey disse a respeito deste texto que: “Sabe o que sucede numa explosão nuclear? A atmosfera retrocede sobre si mesma. É esta tremenda pressão do ar que volta a encher o vazio o que causa muita da destruição numa explosão nuclear. As palavras de João neste versículo apresentam um quadro perfeito de uma guerra nuclear total. Quando isto ocorrer, João afirma que cada monte e ilha serão fortemente sacudidos. Todo o mundo vai ser literalmente abalado”.***
O sol torna-se negro, provavelmente devido a alguma modificação atmosférica, resultante das armas nucleares. O saco de crina era feito de pêlos de cabra. Este tecido era usado tanto em dias de luto (Gn 37.34; Jl 1.8), quanto de penitência pelos pecados cometidos (1 Rs 21.27). As ilhas e os montes serão transtornados pelo poder destruidor destas potências nucleares.



c) A Maior Reunião de Oração da História.
Este selo também descreve o quanto os homens deste período não aprenderam através dos juízos divinos, a render a Deus o arrependimento devido, mesmo reconhecendo a Deus como o agente causal destes juízos (vs.16,17). Todos são conclamados a orar, entretanto, evocam um clamor equivocado – aos montes. Possuem mais medo de Deus do que da morte. Clamam não pelo livramento divino, mas pela morte para que seus sofrimentos terminem. Mesmo em dor, a civilização da Grande Tribulação preferirá a morte do que retornar a Deus em sincero arrependimento. Isto mostra o quanto são iníquos.
Se entendermos este texto literalmente, talvez esteja implícito que o culto à natureza, tão difundido pela Nova Era e pelo misticismo oriental nos dias hodiernos, será um dos fundamentos da religião do Anticristo naqueles dias. Pois em vez de os homens direcionarem seus pedidos a Deus, dirigem-se a natureza.


7º SELO (8.1-11.19): SETE TROMBETAS - JUÍZOS
O sétimo selo desencadeia sete trombetas. Estas implicam em sofrimentos piores do que aqueles desencadeados pelos selos, e designam a intensificação dos juízos divinos.

"E, havendo aberto o sétimo selo, fez-se silêncio no céu quase por meia hora. E vi os sete anjos, que estavam diante de Deus, e foram-lhes dadas sete trombetas." Apocalipse 8:1,2


Vejamos a estrutura das sete trombetas:


1ª TROMBETA (8.7): 1/3 da vegetação é destruída
"E o primeiro anjo tocou a sua trombeta, e houve saraiva e fogo misturado com sangue, e foram lançados na terra, que foi queimada na sua terça parte; queimou-se a terça parte das árvores, e toda a erva verde foi queimada."

2ª TROMBETA (8.8-9): 1/3 da vida oceânica é destruída
"E o segundo anjo tocou a trombeta; e foi lançada no mar uma coisa como um grande monte ardendo em fogo, e tornou-se em sangue a terça parte do mar. E morreu a terça parte das criaturas que tinham vida no mar; e perdeu-se a terça parte das naus."


3ª TROMBETA (8.10-11): 1/3 da água doce é envenenado

"E o terceiro anjo tocou a sua trombeta, e caiu do céu uma grande estrela ardendo como uma tocha, e caiu sobre a terça parte dos rios, e sobre as fontes das águas. E o nome da estrela era Absinto, e a terça parte das águas tornou-se em absinto, e muitos homens morreram das águas, porque se tornaram amargas."


4ª TROMBETA (8.12): 1/3 do sol, da lua e das estrelas se escurecem
"E o quarto anjo tocou a sua trombeta, e foi ferida a terça parte do sol, e a terça parte da lua, e a terça parte das estrelas; para que a terça parte deles se escurecesse, e a terça parte do dia não brilhasse, e semelhantemente a noite."

5ª TROMBETA (9.1): abre-se o abismo, sofrimento sobre os homens
"E o quinto anjo tocou a sua trombeta, e vi uma estrela que do céu caiu na terra; e foi-lhe dada a chave do poço do abismo."


6ª TROMBETA (9.13-14): solto os quatros anjos presos junto ao Eufrates
"E tocou o sexto anjo a sua trombeta, e ouvi uma voz que vinha das quatro pontas do altar de ouro, que estava diante de Deus, a qual dizia ao sexto anjo, que tinha a trombeta: Solta os quatro anjos, que estão presos junto ao grande rio Eufrates."


7ª TROMBETA (11.15): declaração do domínio de Cristo
"E o sétimo anjo tocou a sua trombeta, e houve no céu grandes vozes, que diziam: Os reinos do mundo vieram a ser de nosso Senhor e do seu Cristo, e ele reinará para todo o sempre."

Próximo assunto: As Sete Taças do Apocalipse

Referencias Auxiliares
EPOS, MOD IV, vl4, Antiggo Testamento V.2001,
Antonio GILBERTO, Daniel e Apocalipse, 1985,
George LADD, Apocalipse – introdução e comentário, 1980
LADD, George. Apocalipse: introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova, 1980
N.R.CHAMPLIN, O Novo Testamento Versículo por Versículo, vl.6, 1995,
O Novo Comentário da Bíblia. São Paulo: Vida Nova, 1995


Notas
[1] RYRIE, Charles. Apocalipsis. p.46. Apud Harold L. WILLMINGTON. Auxiliar Bíblico Portavoz.Barcelona: CLIE, 1984, p.566.
[2] O Novo Comentário da Bíblia. São Paulo: Vida Nova, 1995, p.1461.
[3] Cf. LADD, George. Apocalipse: introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova, 1980, p.76.
[4] No texto grego chloros, de onde procede o nosso termo cloro (alvejante)] pode significar verde pálido ou verde como em Mc 6.39,Walter BAUER, A Greek-English Lexicon of the New Testament and other early Christian Literature, apresenta o significado de Ap 6.8, como “amarelo esverdeado” ou “pálido, como uma pessoa doente”, Chicago, 1979,p.882. LADD, op.cit.p.77, admite como tradução possível “a palidez amarelada da morte”. CHAMPLIN, op.cit., p.467, citando o período clássico da língua grega, a firma que Homero usou o termo para indicar a “palidez” do rosto de uma pessoa atemorizada, indicando “ausência de cor”, cita ainda Hipócrites, usando o termo com o sentido de “carne descolorida de pessoa gravemente enferma”.
[5] G.LADD, op.cit.,p.77. CHAMPLIN, ao contrário, identifica apenas um cavaleiro, chamado Morte e também Hades, visto que a morte é companheira inseparável do Hades. No entanto, a Morte e o Hades são claramente identificáveis como distintos um do outro, principalmente quando se observa que o texto usa o pronome na terceira pessoa [ele] para se referir a Morte.
[6] Hades entre os gregos era o deus do mundo subterrâneo, corresponde ao deus mitológico romano Plutão, o deus do mundo inferior.
[7] WILMINGTON, op.cit.,p.568.
[8] John PHILLIPS. Exploring Revelation, p.116 apud WILMINGTON, id.Ibid.,p.568
[9] Id.Ibid.p.568.
[10] Ibidem.


*G.R.BEASLEY-MURRAY, Id.Ibid., p.1462
**Georg LADD, Id.Ibid.,p.81-2
***Hal LINDSEY, There’s a New World Coming, p.110 apud WILLMINGTON, op.cit., p. 570


extraído via Portal CPAD newus - artigos Pr.Esdras Costa Bentho / Teologia & Graça - Os Sete Selos do Apocalipse - Pr.Esdras Costa bentho - Teólogo

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